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MINHA VIDA NO IRAQUE, NOS TEMPOS DE SADDAM HUSSEIN- CAPÍTULO 4

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Capítulo 4: a ida às compras que resultou em correria e tomatadas Eu e minha amiga Zezé no Souk (feira) de Souk Al Shouwiouki . Em 1987 o mundo era bem diferente do que temos hoje. A comunicação era muito precária. E tudo ficava bem mais complicado quando a vida tinha que ser vivida num país governado por um ditador e que, além de tudo, estava em guerra. Não era um tempo em que os produtos estrangeiros podiam ser comprados em qualquer supermercado ou lojinha brasileira até no interior desse nosso Brasilzão.   A China havia iniciado seu processo de abertura econômica em 1978, com Deng Xiaoping, presidente que ficou com a incumbência de transformar a economia chinesa, tirando-a da condição de economia agrária e elevando-a ao nível de potência industrial. Obviamente, o país pretendia se abrir para a iniciativa privada, como o fez, mas sem deixar escapar a rígida  centralização e o controle governamental na economia. Deu no que temos hoje: a China vai se tornando a grande po...

MINHA VIDA NO IRAQUE, NOS TEMPOS DE SADDAM HUSSEIN- CAPÍTULO 3

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  Capítulo 3: Sufoco e medo no hospital de Nassiryah Como contei nos capítulos anteriores, nós éramos bem tratados pelos iraquianos, na maior parte do tempo. Não sei se por eles, de fato gostarem de nós, ou se era por imposição do presidente Saddam que, sendo um ditador cruel (e, de minha parte, não é maniqueísmo influenciado pelas mídias ocidentais pós-guerra do Golfo de 1991. Eu juro! O cara era um monstro!). Ele era implacável, especialmente com a população islâmica xiita, numericamente majoritária, que se concentrava, especialmente, na região sul do país. A cidade de Nassiryah, onde ficava a Vila Sifão, se localizada nessa faixa centro-sul do Iraque e abriga, ainda hoje, população predominantemente xiita. Quando assumiu o poder em 1979, depois de dar um golpe de Estado que destituiu o poder do presidente Ahmed Hassan al-Bakr , Saddam implementou no Iraque, uma ditadura das mais autoritárias e   truculentas. Seu primeiro ato ao chegar ao poder foi “expurgar” do seu pa...

MINHA VIDA NO IRAQUE, NOS TEMPOS DE SADDAM HUSSEIN.- CAPÍTULO 2

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  Capítulo 2: Os primeiros contatos com as pessoas e com minha nova vida A viagem de Bagdá até Nassiryah, no ônibus enviado pela Mendes Jr., foi tranquila e durou cerca de 6 horas, se me lembro bem. Eu estava exausta, mas não consegui dormir. Além do motorista, haviam outros dois homens do receptivo e um intérprete egípcio que, semanas depois, se tornou meu amigo. Mas naquele momento, eu não tinha forças para conversar. Havia uma mistura de cansaço, alívio por chegar bem, depois das apreensões e sustos da viagem Brasil - Iraque, como narrei no capítulo 1, muita curiosidade com tudo o que desfilava pela janela do ônibus e, depois de ver tantos soldados e homens armados de fuzis, o medo de – por algum motivo aleatório – eu me tornar o alvo deles. Ou seria só o medo do novo? Não sei. Chegando ao acampamento (como nos referíamos à Vila Sifão) ainda de madrugada e todos dormiam. Eu fui encaminhada para o hotel onde iria morar dali em diante. Entrei no quarto, tomei um banho, me troq...

MINHA VIDA NO IRAQUE, NOS TEMPOS DE SADDAM HUSSEIN - CAPÍTULO I

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  Capítulo I: a viagem de ida Na segunda metade do século XX, o governo brasileiro – então nas mãos dos militares (1964 – 1984) – fechou uma parceria com o governo iraquiano de Saddam Hussein (1979 – 2003). De acordo com os registros históricos, em decorrência da importação do petróleo, a balança comercial Brasil-Iraque estava em desequilíbrio e o caminho encontrado pelo regime militar foi a parceria com o ditador Saddam Hussein, que – mesmo em guerra com o vizinho Irã – investia massivamente na infraestrutura do Iraque, naqueles tempos.  Foi o tempo em que o mundo se viu em dificuldades com o aumento dos preços do petróleo determinados pelos países membros da OPEP, desde a chamada “Crise do Petróleo” de 1973 e o restante do mundo estava se ajustando para enfrentar os novos desafios. Bandeiras do Iraque e do Brasil   Para reverter esse cenário, a solução encontrada pelo presidente Ernesto Geisel na época foi a venda de serviços brasileiros de engenharia (do mesmo mo...